Com a proposta de estabelecer diretrizes mínimas para uma API padronizada de intercâmbio de dados de medição e faturamento de energia do parque de iluminação pública, a Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública e Cidades Inteligentes (ABCIP) criou em agosto o GT-API Telegestão, grupo de trabalho formal que reúne filiadas da entidade, distribuidoras e cooperativas de energia, além de apoiadores institucionais.
A iniciativa, que será lançada oficialmente em outubro, busca atender às oportunidades abertas pela regulamentação da ANEEL, que permite a utilização dos dados da telegestão para apuração do consumo de energia dos pontos de iluminação pública sem medição individualizada. Atualmente, a inexistência de um padrão comum faz com que cada distribuidora adote processos próprios de integração, dificultando a escalabilidade e aumentando a complexidade operacional para o setor.
Para solucionar o desafio, a associação propõe uma padronização de API em quatro frentes: atualização de cadastro, com formato comum para manter os ativos do parque de iluminação pública sempre sincronizados; envio dos dados de medição, por meio de protocolo único para transmitir os consumos aferidos pela telegestão; relatório de faturamento, com padrão estruturado para consolidar e validar os dados tecnicamente; e emissão de conta, em um processo comum para cobrar o consumo real apurado.
Em uma primeira fase, nos inspiramos no modelo criado pela Cemig, que serve de base para avançarmos na criação de uma API em comum, sem qualquer prejuízo para outras soluções já adotadas pelas distribuidoras, concessionárias ou fornecedoras de tecnologia”, afirma Pedro Iacovino, presidente da ABCIP.
Com duração de até um ano, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período, o GT-API Telegestão terá reuniões ordinárias mensais em ambiente virtual, sob a coordenação de secretários eleitos na primeira reunião, marcada para o próximo dia 2 de outubro.
“Ao fim do trabalho, a expectativa é avançar nos debates e contribuir para que efetivamente a troca de informações sobre medição e faturamento de energia de iluminação pública possa se tornar realidade. Também pretendemos produzir produtos técnicos para uso livre de todo o setor”, completa Iacovino.
A ABCIP reforça que a iniciativa possui caráter estritamente técnico e colaborativo, sem natureza regulatória ou obrigatoriedade de adoção, com o objetivo de promover maior interoperabilidade, eficiência e transparência nos processos de medição e faturamento da iluminação pública inteligente no Brasil.
Crédito foto: Ministério das Cidades