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Estudo associa iluminação com LED a queda de 36,9% em furtos em SP

A modernização da iluminação pública com lâmpadas de LED está associada a uma redução de 36,9% nos furtos de celulares durante a noite em áreas de São Paulo. O dado faz parte de um estudo realizado por pesquisadores do FGV Cidades.

A pesquisa comparou pequenas áreas que passaram pela modernização durante uma expansão realizada no terceiro trimestre de 2018 com regiões que ainda não haviam recebido as luminárias até o início de 2020. Para isso, os pesquisadores cruzaram informações sobre a localização e a data de instalação dos equipamentos com registros policiais georreferenciados.

Segundo Hugo Villarinho Pereira de Carvalho, um dos autores do estudo e pesquisador do FGV Cidades, os resultados mais fortes apareceram nos furtos de celulares durante a noite. Nessas áreas, a estimativa foi de uma redução de 0,222 furto por área e por trimestre, o equivalente a 36,9% da média observada antes da modernização.

O pesquisador ressalta, porém, que o resultado precisa ser interpretado com cautela. A expansão da iluminação não foi feita de forma aleatória e ocorreu principalmente em áreas com maior atividade urbana e maior criminalidade inicial. Por isso, o estudo apresenta uma evidência consistente com a redução dos furtos após a modernização, mas não permite afirmar que a iluminação foi, isoladamente, responsável pela queda.

Para o início da manhã, a estimativa também apontou redução dos furtos de celulares, de 25,3%. Nesse caso, porém, o resultado é considerado estatisticamente menos preciso.

Os pesquisadores também analisaram roubos e crimes envolvendo veículos, mas os resultados foram menos consistentes. A conclusão, portanto, não é de que a iluminação reduz todos os tipos de crime da mesma maneira.

Efeito maior sobre crimes patrimoniais

O estudo da FGV Cidades também reúne evidências de pesquisas realizadas em diferentes países sobre a relação entre iluminação e criminalidade.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022 reuniu quase 50 anos de pesquisas sobre intervenções em iluminação pública. Dos 21 estudos que atenderam aos critérios de qualidade, 17 puderam ser combinados estatisticamente.

A análise encontrou uma redução média de aproximadamente 14% na criminalidade em áreas que receberam melhorias de iluminação. Os estudos foram realizados em países como Estados Unidos, Coreia do Sul, Brasil e Reino Unido.

De acordo com Carvalho, porém, os resultados são mais consistentes para crimes contra o patrimônio. Para crimes violentos, a evidência de redução é menos clara.

O percentual de 14%, portanto, não significa que a instalação de iluminação em qualquer rua produzirá necessariamente uma queda de 14% nos crimes. O número representa uma média encontrada em diferentes cidades, períodos e contextos.

Como escolher onde iluminar?

Para os pesquisadores, o local onde a iluminação é instalada é tão importante quanto a própria modernização.

Em uma cidade com recursos limitados, uma das estratégias seria priorizar regiões que combinem alta concentração de crimes de rua, principalmente crimes patrimoniais durante a noite, iluminação insuficiente e grande circulação de pessoas.

Áreas próximas a estações de transporte, corredores de pedestres, escolas e equipamentos públicos também poderiam ser consideradas.

A pesquisa aponta ainda que diferentes crimes possuem dinâmicas próprias. Uma intervenção capaz de produzir efeito sobre furtos de celulares, por exemplo, não necessariamente terá o mesmo resultado sobre outros delitos.

O estudo não conseguiu analisar crimes sexuais por limitações de acesso aos dados. Por isso, os pesquisadores dizem não haver evidências suficientes para indicar qual seria o impacto da iluminação especificamente sobre esse tipo de ocorrência.

SP já usa dados de criminalidade para definir investimentos

Segundo o pesquisador, existem registros oficiais de que a Prefeitura de São Paulo já utilizou dados de criminalidade para definir prioridades na expansão da iluminação pública.

Em 2019, a administração municipal informou que índices de criminalidade da Secretaria da Segurança Pública estavam entre os critérios utilizados para definir as áreas prioritárias.

Não é possível afirmar, porém, que esse procedimento seja adotado atualmente de forma sistemática em todas as decisões ou que exista uma metodologia única e permanente baseada nesses dados. Para Carvalho, ainda há espaço para que municípios incorporem de forma mais sistemática informações criminais e avaliações de impacto ao planejamento das políticas públicas.

Uma das possibilidades seria utilizar a própria expansão da iluminação para medir seus resultados.

Áreas com níveis semelhantes de prioridade poderiam receber a intervenção em momentos diferentes. Com isso, a evolução da criminalidade poderia ser comparada entre os grupos, permitindo avaliar com mais segurança o impacto da política e aprimorar os critérios utilizados nas etapas seguintes.

A principal conclusão do estudo, portanto, é que a iluminação pública pode funcionar como uma ferramenta de prevenção, mas seus efeitos dependem do tipo de crime, do horário, do local escolhido e da forma como a política é planejada.

 

Fonte: CNN

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