O Brasil possui mais de 830 municípios com projetos em desenvolvimento para concessões de iluminação pública e cidades inteligentes, no modelo de parceria público-privada (PPP). O segmento é considerado oportunidade para empresas de telecom e Internet das Coisas (IoT).
O número de projetos em andamento faz parte de levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública e Cidades Inteligentes (ABCIP). Segundo Pedro Iacovino, presidente da entidade, as concessões de iluminação pública atendem hoje 187 municípios brasileiros, que compreendem 27% da população.
Entre as tendências para o futuro está o ganho de escala do segmento (rumo a novos municípios) e a estruturação cada vez mais presente de projetos que incluam serviços além da iluminação pública, rumo ao modelo de cidades inteligentes.
Hoje, ao menos 36 contratos de iluminação pública mapeados pela ABCIP já incluem dois ou mais serviços de cidade inteligente. Entre as possibilidades estão Wi-Fi público, videomonitoramento, monitoramento climático e mesmo geração de energia fotovoltaica.
“Quem fizer PPP só de iluminação hoje está perdendo uma grande oportunidade”, afirmou Pedro Iacovino. “Há oportunidade muito grande de resolver outros problemas. Serão projetos cada vez mais amplos”.
A oportunidade não passa despercebida entre as teles, que têm apostado em parcerias para oferta de sistemas de telegestão ao lado da conectividade, relata a ABCIP. Empresas de torres também atuam junto ao segmento, bem como provedores locais de fibra, sobretudo em projetos que exigem transmissão de vídeo.
O ecossistema de empresas que exploram as concessões também tem crescido e hoje alcança mais de 60 grupos, ante seis há uma década, relata Iacovino. Empresas de segmentos como radares e videomonitoramento estão entre aquelas que têm buscado o segmento.
O crescimento do mercado reflete na própria ABCIP, fundada em 2017 e que agrega concessionárias, integradores de sistemas digitais, fabricantes de componentes, equipamentos e luminárias. No ano passado, a entidade incluiu oficialmente as cidades inteligentes em seu nome, como forma de refletir o escopo mais amplo de atuação.
Planejamento de longo prazo para cidade inteligente
Um dos desafios encarados pelo setor é como ganhar escala para além dos 187 municípios que já possuem as PPPs (através de 158 contratos, visto que também há possibilidade de consórcios).
Segundo Iacovino, a lacuna da estruturação de projetos têm sido endereçada tanto pelas pioneiras Caixa e BNDES quanto pelo mercado privado, que estaria atingindo atuação “pujante”. Agora, o desafio real é inserir o tema no planejamento de longo prazo dos municípios, até como forma de blindar as cidades inteligentes de interferências políticas.
Fonte: Teletime